Todos sabemos que o futebol é o esporte mais popular e democrático que existe. Talvez o principal elo em comum entre as milhares de culturas ao redor do mundo. O futebol moderno é um fenômeno, e uma das principais viradas de chave do esporte é o novo modelo de relacionamento entre clubes e suas torcidas.
Nos últimos anos, o meio esportivo se esforçou para conseguir diferenciar “torcida” e “público” na atual conjuntura midiática. Pensando através de uma melhor promoção de seus produtos através do processo de segmentação, os clubes esportivos entenderam a necessidade de se comunicar de forma personalizada com os seus “clientes”.
Quando falamos de torcedores, estamos nos referindo aos fãs profundamente engajados, que não medem esforços – seja tempo, dinheiro ou energia – para apoiar seu time do coração.
Já o “público em geral” abrange uma gama mais ampla de pessoas, incluindo desde consumidores recorrentes até aqueles que têm uma afinidade mais distante com o esporte. No entanto, quando trazemos essa lógica para o mercado das marcas, qual lição podemos extrair? Como as empresas podem melhorar suas estratégias de marketing de conteúdo usando as táticas do marketing esportivo?
No futebol, os clubes entendem que não podem tratar todos da mesma maneira. Eles precisam criar estratégias para o engajamento de sua torcida acontecer de forma orgânica enquanto “restante do público” ser atraído através de estratégias de percepção de marca ou de campanhas.
É básico no marketing esportivo que a comunicação com os fãs exige um tratamento personalizado, que vá além da simples exibição de promoções. Os clubes e federações entendem a necessidade de ajustar suas mensagens-chave para quem já consome da marca e para quem é um cliente em potencial.
Um exemplo claro disso é o São Paulo, que foi pioneiro no lançamento do programa de sócio-torcedor no Brasil. Ao criar um programa que oferece benefícios exclusivos aos torcedores mais dedicados, o clube conseguiu não apenas gerar uma nova fonte de receita, mas também estreitar ainda mais seu vínculo com aqueles que já estavam comprometidos com a causa.
A sensação de envolvimento das marcas através do relacionamento é essencial. Por isso, a criação de campanhas awareness são essenciais para a percepção da empresa/produto de uma forma que não seja uma propaganda “Compre o meu produto! Assista aqui! O meu time é o melhor”. Tudo de forma implícita, visando o potencial de liberdade do próprio público engajar com a marca. Campanhas publicitárias genéricas não dão certo nem entre os “fãs apaixonados”, quem dirá com o público que está em prospecção.
A personalização é essencial. Quando voltamos ao tema “Sócio-Torcedor”, o Palmeiras é um ótimo case. A cada ano que passa, o clube brasileiro se destaca cada vez mais ao reinventar seu relacionamento com seus sócios. Além de garantir o ingresso para os jogos, o clube tem oferecido experiências exclusivas, como ativações digitais e eventos presenciais, que reforçam o sentimento de pertencimento e exclusividade.
Essas ações são um excelente exemplo de como as marcas, no marketing de conteúdo, podem ir além da simples venda e investir na criação de uma experiência rica e personalizada para seus fãs, que cada vez mais vêem valor agregado no que o Palmeiras se oferece a vender.
Rival do exemplo acima, O Corinthians também tem realizado suas estratégias de comunicação com maestria. Através da presença nas redes sociais, o clube se comunica de forma autêntica com sua torcida.
Ao invés de criar um conteúdo plastificado e feito em larga escala para qualquer um que consuma as redes sociais do clube, o “Timão” fala diretamente com seus fiéis, utilizando memes e outros recursos que geram um vínculo profundo com o público que é familiar com a história do clube.
Esse tipo de comunicação personalizada fortalece o engajamento e cria uma comunidade de fãs que não apenas consome conteúdo, mas se sente parte do time. Enquanto isso, torcedor do Corinthians ou não, estamos aqui falando dele… deu certo a estratégia.
Quando aplicamos esses exemplos ao marketing digital, a lição fica evidente: as marcas precisam aprender a segmentar seu público e tratar seus fãs de forma diferenciada. O objetivo não deve ser simplesmente alcançar o maior número de pessoas possível, mas construir uma base de fãs leais que compartilham os valores e a missão da marca. Ao adotar essa abordagem no marketing de conteúdo, as marcas podem cultivar uma comunidade fiel de seguidores que não são apenas consumidores, mas verdadeiros defensores da marca.
Esse engajamento profundo e personalizado é o que transforma clientes ocasionais em embaixadores autênticos, criando uma base sólida e comprometida. Em vez de buscar apenas o alcance a qualquer custo, é crucial adotar estratégias que priorizem o fortalecimento dessa comunidade, onde os fãs realmente se identificam com o propósito da marca.
O verdadeiro segredo para o sucesso no cenário atual é entender quem são os seus fãs e como se comunicar com eles de forma eficaz. Ao fazer isso, as marcas conseguem criar um vínculo emocional profundo, que vai além de uma simples transação comercial.
E o “público”, embora possa não “torcer” pela sua empresa, certamente reconhecerá sua força e identidade. Isso já é um grande valor, pois a percepção de uma marca autêntica e alinhada com seus valores pode gerar um impacto significativo, mesmo entre aqueles que ainda não fazem parte de sua comunidade de fãs.