As fintechs na Colômbia atravessam um momento de consolidação e expansão estratégica. Com mais de 560 empresas ativas, segundo o Fintech Radar Colombia 2025, da Finnovista, o país se posiciona como o terceiro maior ecossistema fintech da América Latina, atrás apenas de Brasil e México.
O lançamento do Bre-B, sistema de pagamentos instantâneos do Banco de la República, acelerou ainda mais a transformação do mercado. Com mais de 32 milhões de usuários registrados e 84 milhões de chaves emitidas, o sistema ampliou a digitalização dos pagamentos e criou novas oportunidades para crédito, carteiras digitais e soluções B2B.
No entanto, apesar do avanço regulatório, da infraestrutura robusta e do crescimento de investimentos, a escalabilidade das fintechs na Colômbia depende cada vez mais de um fator estratégico: a construção de confiança por meio de criadores de conteúdo em redes sociais.
Panorama atual das fintechs na Colômbia
O ecossistema colombiano apresenta indicadores de maturidade:
- 394 fintechs locais e 169 estrangeiras em operação (Finnovista, 2025)
- Crescimento mais sustentável, com redução na taxa de saída de startups
- Projeção de duplicação das receitas até 2027
- 76% de adoção de soluções fintech entre colombianos, segundo estudo da EY
- 77,3% de penetração de internet em 2025
- Bancarização superior a 96%
Apesar desses avanços, o mercado ainda apresenta desafios estruturais. Apenas 18% da população possui cartão de crédito, segundo dados do Banco Central da Colômbia, o que evidencia oportunidades em crédito digital e scoring alternativo.
O crescimento das fintechs na Colômbia, portanto, combina infraestrutura avançada com lacunas comportamentais e educacionais.
O impacto do Bre-B na escalabilidade das fintechs na Colômbia
O Bre-B representa uma mudança estrutural no mercado de pagamentos colombiano. O sistema permite transferências instantâneas, 24/7, com interoperabilidade total entre bancos e fintechs.
Esse ambiente cria oportunidades como:
- Liquidação instantânea de crédito digital
- Pagamentos P2P e P2B em tempo real
- Microtransações economicamente viáveis
- Pagamentos B2B com redução de capital de giro
Com a interoperabilidade garantida, as fintechs na Colômbia passaram a competir em igualdade de condições com grandes bancos no segmento de pagamentos.
Entretanto, pagamentos instantâneos também aumentam o nível de exigência em segurança e confiança do usuário.
Desafios de confiança e segurança no mercado colombiano
O crescimento das transações digitais trouxe desafios relevantes. Segundo estudo da TransUnion, a Colômbia registrou aumento de 11% nas suspeitas de fraude digital em 2024 — o maior crescimento entre 18 países analisados.
Os principais riscos incluem:
- Engenharia social
- Phishing
- Deepfakes com uso de IA
- Fraude de identidade
- Fraude em transações instantâneas irrevogáveis
Embora 43,9% das fintechs colombianas já utilizem Inteligência Artificial para prevenção de fraudes (Finnovista, 2025), a tecnologia por si só não resolve o desafio da percepção de risco. A construção de confiança tornou-se diferencial competitivo.
O papel dos criadores de conteúdo no crescimento das fintechs na Colômbia
Com alta penetração de redes sociais e forte cultura digital, os criadores de conteúdo tornaram-se agentes estratégicos no processo de adoção fintech.
No contexto colombiano, criadores de YouTube, TikTok, Instagram e LinkedIn atuam como:
1. Educadores financeiros digitais
Explicam:
- Como funciona o Bre-B
- Como utilizar carteiras digitais
- Como solicitar crédito online com segurança
- Como evitar fraudes
Essa educação reduz fricções de onboarding e amplia a ativação de usuários.
2. Redutores de risco percebido
Pagamentos instantâneos são irrevogáveis. Esse fator aumenta a necessidade de segurança informacional.
Criadores contribuem ao:
- Demonstrar uso real das plataformas
- Explicar autenticação biométrica
- Alertar sobre golpes comuns
- Reforçar boas práticas digitais
A confiança construída por meio de narrativas reais tende a gerar maior conversão do que campanhas publicitárias tradicionais.
3. Amplificadores de inclusão financeira
Segundo a Finnovista, um terço das fintechs na Colômbia possui foco explícito em populações desbancarizadas ou sub-bancarizadas.
Criadores ajudam a:
- Traduzir modelos de scoring alternativo
- Demonstrar soluções de microcrédito
- Explicar BNPL
- Orientar pequenos empresários sobre gestão financeira
A combinação entre educação e proximidade cultural amplia o alcance das soluções digitais.
Estratégias de crescimento com criadores no mercado colombiano
Para fintechs que desejam escalar na Colômbia, a atuação com criadores deve ser estruturada estrategicamente.
Segmentação por audiência
O mercado colombiano é heterogêneo. Estratégias eficazes consideram:
- Jovens digitais
- Pequenos e médios empresários
- Trabalhadores de aplicativos
- Usuários fora dos grandes centros
- Criadores especializados em segurança digital
Cada segmento exige abordagem específica.
Parcerias recorrentes e não pontuais
Serviços financeiros exigem confiança contínua. Modelos eficazes incluem:
- Programas de embaixadores
- Séries educativas
- Conteúdos explicativos recorrentes sobre Bre-B
- Campanhas de conscientização antifraude
A consistência aumenta retenção e reconhecimento de marca.
Integração entre marketing e produto
Criadores também funcionam como fonte de inteligência de mercado.
Análises de comentários, dúvidas recorrentes e feedbacks permitem:
- Ajustes em UX
- Simplificação de onboarding
- Adequação de mensagens de valor
- Redução de abandono
Esse modelo contribui para crescimento sustentável.
Diferencial competitivo no novo ciclo das fintechs na Colômbia
O estudo Latin America: Global Investors’ New Fintech Frontier, produzido por LendIt Fintech e Finnovista, já indicava que maturidade de ecossistema depende de capital, talento e regulamentação.
O cenário atual colombiano adiciona um quarto elemento: confiança digital construída socialmente.
Com infraestrutura consolidada, Open Finance em expansão e pagamentos instantâneos amplamente adotados, o diferencial competitivo desloca-se para:
- Experiência do usuário
- Segurança percebida
- Educação financeira
- Autoridade digital
Nesse contexto, criadores de conteúdo deixam de ser apenas canal de marketing e passam a integrar a estratégia de crescimento das fintechs na Colômbia.
Considerações finais
As fintechs na Colômbia vivem um ciclo de consolidação tecnológica, maturidade regulatória e expansão de receitas. O Bre-B fortaleceu a infraestrutura de pagamentos, enquanto o Open Finance tende a ampliar personalização e inclusão.
No entanto, o crescimento sustentável do setor exige mais do que inovação técnica.
Em um mercado onde pagamentos instantâneos se tornam padrão, a diferenciação depende de confiança, educação e proximidade cultural.
Criadores de conteúdo, quando integrados de forma estratégica ao modelo de crescimento, tornam-se ativos fundamentais para escalar produtos financeiros digitais no mercado colombiano.