A realidade das mulheres no mercado de trabalho brasileiro

Estava realizando uma pesquisa no Google para entender a situação das mulheres no mercado de trabalho no Brasil e me deparei com essa situação:

Isso mostra que as mulheres ainda são cobradas a terem características do lar, maternas, familiares. Mas e as características profissionais? É fato que ainda enfrentamos muitos preconceitos, especialmente as mulheres negras, no mercado de trabalho.

Um panorama sobre o mercado de trabalho no Brasil

A comparação entre mulheres e homens empregados ou em cargos gerenciais ainda é distante e existem outros aspectos que interferem na jornada de trabalho feminino, seja contratada ou na busca de um emprego.

Dados do IBGE de 2022 mostram que apenas 53% das mulheres participavam da força de trabalho contra 73,2% dos homens. Das 52% de mulheres negras empregadas, 43% ocupavam postos de trabalho informal.

O número é ainda menor em cargos de liderança, sendo 39% ocupados por mulheres e 60% ocupados por homens em 2022. Já as mulheres negras ocupavam apenas 0,4% dos cargos de gestão nas 500 maiores empresas do Brasil (Instituto Ethos, 2020).

Barreiras enfrentadas pelas profissionais

Além da taxa de emprego, as mulheres também precisam lidar com a jornada dupla, que envolve o trabalho doméstico. Ensinadas desde criança a cuidar do lar, nós damos mais valor a tarefas domésticas do que os homens. O IBGE mostra que as mulheres passam o dobro do tempo cuidando da casa do que os homens.

Contradições

Assim, o trabalho doméstico se torna um empecilho para as mulheres se dedicarem mais às suas carreiras e estudos. E, ainda que 21% de mulheres vs 16% dos homens concluam o ensino superior, seu salário costuma ser 21% abaixo do dos homens.

Preconceitos

A entrevista de emprego é um divisor de águas. Lina Nakata, especialista em mercado de trabalho e criadora da pesquisa “Lugares Incríveis para Trabalhar”, diz que enquanto mulheres sempre são cobradas a ter mais habilidades para avançar em um cargo, os homens são incentivados a se adaptar aos novos desafios.

Para as mulheres negras, existem ainda mais desafios. De acordo com uma pesquisa realizada pela Carreira Preta,  68% das entrevistadas já foram confundidas com profissionais de limpeza em algum momento de suas carreiras. 70% delas tiveram que justificar suas escolhas capilares. Outro ponto de atenção é a mudança de postura dos recrutadores quando percebem que a candidata é negra ou quando fala sobre sua residência.

Mulheres que têm filhos também sofrem preconceito. De acordo com a Catho, 60% delas estão desempregadas e apenas 15% ocupam papéis de liderança. 60% ocupam cargos operacionais. A disparidade salarial também entra em cena: 38% das entrevistadas disseram que ganham salários melhores que colegas com funções similares e acreditam que seja por conta da maternidade.

Caminhos possíveis

A Lei de igualdade salarial, estabelecida em 2023, não é suficiente para que as mulheres tenham melhor qualidade de vida, pois, como vimos no texto, a disparidade ainda existe e essa legislação só vale para quem atua como CLT. Afinal, no Brasil, cerca de 47% da força de trabalho feminino é informal (IBGE).

O cerne do problema está na estrutura, no machismo e racismo enraizados em nossa sociedade. Nós, como seres humanos, precisamos reavaliar nossos próprios conceitos e preconceitos que carregamos, muitas vezes sem perceber.

É preciso ir além da promessa e partir para a ação. Aliás, muitas mulheres vêm criando projetos para incentivar umas às outras a entrarem e crescerem no mercado de trabalho. Mas isso não é suficiente, pois precisamos de um apoio governamental mais incisivo em educação e ferramentas para auxiliar mulheres em suas carreiras. As  empresas contratantes também devem abrir seus olhos e enxergar suas candidatas como profissionais dedicadas e não como “mulheres que querem trabalhar”.

Ainda, para que o mercado de trabalho seja mais inclusivo, é essencial que a própria diversidade esteja presente no momento de criar estratégias desse cunho. Mentes que vivem a realidade feminina sabem onde dói e podem ajudar a mudar esse cenário. E as dores são diferentes, baseadas na experiência de vida de cada uma.