C40: da crise à o avanço na sustentabilidade

Estratégia e Resiliência: Como a Comunicação Transformou uma Crise de Segurança em um Marco para a Logística Elétrica no Brasil

O setor de transporte e logística no Brasil vem passando por uma mudança profunda. 

Atualmente, cerca de 65% de toda a carga movimentada no país depende de veículos movidos a diesel. Essa dependência traz problemas reais para a operação das empresas: custos altos de combustível, trânsito e poluição. No Rio de Janeiro, por exemplo, o transporte rodoviário responde por mais de 35% das emissões de gases poluentes.

Diante desse contexto, o projeto Laneshift, uma iniciativa global criada pela rede C40 Cities e pelo The Climate Pledge, chegou ao Rio de Janeiro para acelerar a eletrificação das frotas de carga. 

O objetivo era tornar a eletromobilidade uma realidade palpável, expandindo a infraestrutura de recarga pública e criando um ambiente de confiança para que empresas iniciassem a transição de suas frotas.  

Contudo, fazer uma mudança tecnológica dessa magnitude em uma cidade como o Rio, exigia uma comunicação estratégica que passasse confiança e informação para as empresas e a população.

O desafio

O projeto enfrentou barreiras desde o começo. Muitos donos de frotas tinham dúvidas sobre o custo de manutenção e se os veículos elétricos aguentariam o trabalho pesado. 

Havia também o risco de a eletrificação ser percebida como uma solução elitista, desconectada da realidade operacional dos motoristas brasileiros. Somado a isso, o cronograma de lançamento coincidia com grandes eventos globais, o que ameaçava ofuscar a relevância da infraestrutura local diante de narrativas diplomáticas internacionais. 

Ainda, dois dias antes do lançamento, o Rio de Janeiro foi atingido por uma severa crise de segurança pública que paralisou a cidade, levando ao cancelamento da agenda do prefeito e à orientação para que os moradores ficassem em casa. 

O cronograma também coincidia com a visita oficial do Príncipe William ao Brasil, o que ameaçava ofuscar a relevância da iniciativa local diante da atenção voltada à realeza britânica. Logo, prosseguir com o evento original poderia soar como insensibilidade, enquanto uma interrupção sem estratégia definida colocaria em xeque meses de planejamento e a própria credibilidade do projeto.

Mudando a rota

É nesse momento que nós da Sherlock Communications decidimos mudar a forma de contar essa história, inserindo uma narrativa mais humana e acessível em meio a tantos dados técnicos.

Pilares da campanha

 A estratégia foi dividida em três frentes principais:

Nova narrativa: trouxemos uma abordagem que passsasse mais valor para marcas e pessoas, destacando fatores como viabilidade financeira, ganhos em saúde coletiva, revitalização do ambiente urbano e a promoção da dignidade do profissional de transporte. 

Gestão de crise: recomendamos o adiamento estratégico do lançamento, alterando o tom da campanha de “celebração” para “solidariedade”. Reformulamos os materiais de imprensa para priorizar o respeito à situação da cidade, mantendo o interesse dos veículos de mídia de forma empática. 

Porta-vozes institucionais: com a ausência do prefeito devido à crise, articulamos lideranças alternativas, como o Secretário de Desenvolvimento Econômico, para garantir que o anúncio mantivesse sua autoridade e peso institucional perante a opinião pública. 

Através desses pilares, posicionamos o Rio de Janeiro como protagonista em um ecossistema global, evidenciando a liderança da cidade nos preparativos para a COP30, o que futuramente levou a campanha a ser finalista no PR Week Global Awards 2026, um dos prêmios mais importantes da comunicação mundial.

Resultados

A estratégia de ser transparente e pé no chão deu resultados muito acima do esperado. Mesmo com o adiamento e a crise, a campanha conseguiu 56 matérias na imprensa — quatro vezes mais do que o planejado. 

Além disso, o projeto alcançou cerca de 70 milhões de pessoas em veículos Tier 1, como UOL e Agência Brasil. O mais importante é que quase todas as matérias destacaram os pontos centrais da iniciativa, mostrando que a mensagem foi entendida.

A realização do encontro em 31 de outubro reuniu 70 líderes estratégicos de organizações como Volkswagen Caminhões e Ônibus, Heineken e EzVOLT, sinalizando uma forte confiança comercial na eletrificação. O impacto foi tão positivo que cidades como São Paulo e Belo Horizonte demonstraram interesse em adotar modelos similares. 

Ao escolher falar de forma clara e respeitar o contexto local, a estratégia provou que a inovação só avança quando faz sentido para a sociedade e para o mercado.