Sherlock Exchange Program: entre o Brasil e a Argentina, um mês de troca e aprendizados

Sherlock Exchange Program

Passar um mês trabalhando em outro escritório pode parecer, à primeira vista, apenas uma mudança geográfica. Mas, para mim, a experiência representou a oportunidade de conhecer de perto outra realidade de trabalho, entender como funciona um mercado de comunicação diferente, aprender e trocar conhecimentos com uma equipe diferente, embora todos nós sejamos da mesma empresa, mas agora em outro país. Fui selecionada para participar do Exchange Program da Sherlock Communications em Buenos Aires e, durante um mês, passei a integrar temporariamente a rotina do escritório argentino.

Durante esse período, participei de alguns projetos na Argentina, acompanhei de perto a rotina do time e conheci outras formas de trabalhar com relações públicas e relacionamento com a imprensa e também pude compartilhar práticas que fazem parte do nosso dia a dia no Brasil.

Eu já tinha estado em Buenos Aires em no final do ano anterior, durante a minha primeira viagem internacional. Voltar alguns meses depois, dessa vez por trabalho, mudou completamente a experiência. Foi meu primeiro intercâmbio e, até hoje, a experiência profissional, cultural e pessoal mais incrível que já vivi.

Dessa vez, pude conhecer Buenos Aires para além dos pontos turísticos, e vivi a rotina de quem mora e trabalha na cidade, convivendo com uma equipe local e experimentando um pouco do cotidiano.

Conhecer outro mercado de comunicação

Na primeira semana, meu principal objetivo foi entender como o escritório funcionava. Conheci melhor a equipe, a rotina, os horários, a dinâmica entre os profissionais e a forma como os projetos eram conduzidos. Alguns dias eu trabalhava no escritório e, em outros, fazia home office.

Aos poucos, comecei a perceber algumas diferenças entre o mercado argentino e o brasileiro. Uma delas está no próprio tamanho e na estrutura do mercado de mídia. No Brasil, estamos acostumados a trabalhar com um número muito grande de veículos e editorias, enquanto a estrutura argentina é mais enxuta.

Isso traz desafios próprios para o trabalho de relações públicas. No Brasil, a amplitude do mercado de mídia permite trabalhar uma mesma pauta por diferentes caminhos, adaptando o enfoque para editorias como negócios, economia, tecnologia, turismo ou ESG, por exemplo. Na Argentina, com um número menor de veículos e editorias, é mais desafiador ampliar essas possibilidades e encontrar diferentes formas de explorar uma mesma pauta.

Também percebi diferenças nos canais usados para o relacionamento com jornalistas. No Brasil, o WhatsApp é uma ferramenta muito presente no nosso dia a dia de assessoria, junto com e-mail e ligações. Na Argentina não é diferente, mas o LinkedIn também entra nessa lista com um papel forte, não somente para acompanhar os jornalistas, suas publicações e atualizações, mas como ferramenta de contato, principalmente quando não existe um número de WhatsApp disponível.

Uma outra situação em que essa diferença de contexto ficou bastante clara foi durante a divulgação da nova edição da REPCONE, iniciativa da Rede de Jornalistas Negras por Diversidade na Comunicação (Rede JP). A campanha já estava sendo trabalhada pelo nosso time do Brasil e, durante o intercâmbio, dei suporte na adaptação do material para o espanhol com o objetivo de ampliar as inscrições na Argentina.

Discutimos como apresentar a oportunidade considerando as diferenças na forma como questões raciais e de gênero são compreendidas em cada país e foi um bom exemplo de como adaptar uma pauta para outro mercado vai além de traduzir um texto.

Essas diferenças também apareceram nos desafios do dia a dia. A realidade de cada mercado muda os canais, os contatos e a forma de construir uma abordagem, mas a necessidade de entender o contexto e encontrar a melhor maneira de chegar a cada público continua sendo a mesma.

Sherlock Exchange Program

A troca acontece nos dois sentidos

Uma das partes mais legais do intercâmbio é a troca de conhecimentos. Como parte do programa, cada participante é convidado a apresentar um ou dois treinamentos ao longo do período, compartilhando com o time alguma prática, conhecimento ou experiência que possa contribuir para a rotina do escritório.

Na terceira semana, apresentei o meu primeiro treinamento “Media Relations in Sherlock Comms Brazil”, mostrando um pouco de como trabalhamos as relações com a imprensa no Brasil. Falamos sobre adaptação de pautas globais ao contexto brasileiro, busca por dados e ganchos locais, personalização dos pitches e construção de media lists. Também compartilhei algumas estratégias que usamos para manter o relacionamento com jornalistas no dia a dia, como eventos, media kits e encontros mensais, e a importância de criar esses momentos com eles.

Na quarta e última semana, apresentei o segundo treinamento “Visual Content for PR and Social Media”, sobre a produção de fotos e vídeos durante eventos, algo muito presente na minha vida de fotógrafa e na nossa rotina de PR como um todo, principalmente pela frequência de eventos que acontecem no Brasil e dos quais os nossos clientes participam.

No Brasil, é comum que a equipe de assessoria registre um evento e já disponibilize imagens para os jornalistas junto com o release. Uma boa foto pode ajudar uma pauta a ser publicada, mas o material também pode ser aproveitado em redes sociais, apresentações, estudos de caso e outros materiais de comunicação interna da Sherlock Comms.

Por isso, compartilhei algumas práticas da nossa rotina, como variar os enquadramentos, registrar o ambiente e o contexto, pensar em fotos horizontais para a imprensa e produzir vídeos curtos e verticais para redes sociais. A ideia não era transformar meus colegas de PR em fotógrafos, mas mostrar como pequenas escolhas podem tornar esse material mais útil. Na Argentina, não existe um fluxo tão intenso de eventos quanto no Brasil, mas ainda assim foi uma oportunidade de discutir como aproveitar melhor os momentos em que esse tipo de conteúdo está disponível.

Por Buenos Aires afora

Além dos momentos de trabalho, apresentações, demandas e reuniões, durante o mês, também tive a oportunidade de conhecer lugares de Buenos Aires que ainda não conhecia, aproveitar os finais de semana e praticar espanhol em situações do dia a dia. Cheguei à cidade com aquela insegurança natural de quem ainda está aprendendo um idioma novo, fora do seu país de origem, e saí muito mais confortável. A prática fez toda a diferença. Ainda não sou fluente em espanhol, mas perdi parte do medo de me arriscar. Antes, eu pensava muito antes de falar. Lá, precisei simplesmente tentar.

Isso também teve impacto direto na minha rotina de trabalho. As reuniões semanais com um dos nossos clientes reúnem os times do Brasil, México e Colômbia e acontecem em espanhol. Até então, nas atualizações do Brasil, eu costumava falar em inglês, idioma que também sigo aprendendo. Durante o intercâmbio, decidi aproveitar a oportunidade para começar a me desenvolver mais no espanhol.

Além do trabalho, a convivência com o time também me permitiu conhecer um pouco mais da rotina local. O almoço era um momento bastante coletivo. Por volta das 13h, sentávamos para comer juntos, conversar e trocar ideias que iam além do trabalho; viagens, diferenças de idioma e até palavras parecidas ou completamente diferentes entre o português e o espanhol. Eram momentos simples, mas de uma riqueza cultural muito preciosa para mim.

O próprio escritório de Buenos Aires ajudava a criar esse clima. É um espaço muito aconchegante e acolhedor, que fazia com que esses momentos de convivência acontecessem de forma muito natural. E, claro, tinha o mate, tão presente na cultura argentina e também na rotina do escritório. Pude experimentar pela primeira vez e adorei!

Também comemorei meu aniversário no escritório, junto com a Lucila, que fazia aniversário um dia antes do meu. Tivemos ainda um happy hour de despedida em um lugar próximo ao escritório, encerrando o intercâmbio com mais um momento de convivência com o time. Desde o primeiro dia, todos foram muito receptivos e dispostos a ouvir, ensinar e compartilhar suas experiências, o que fez com que eu me sentisse parte da equipe mesmo estando ali por apenas um mês.

O que eu trouxe de volta

Quando penso no intercâmbio, não consigo separar completamente o que aprendi profissionalmente da experiência pessoal. Voltei entendendo melhor como outro mercado de comunicação funciona, com novas referências de relações com a mídia, estratégias e formas de trabalhar. Também tive a oportunidade de compartilhar conhecimentos com uma equipe diferente e perceber que práticas que parecem muito naturais no nosso dia a dia no Brasil podem ser novas para outros mercados, e vice-versa.

Pessoalmente, a experiência me ajudou a trabalhar alguns receios e a me fortalecer ainda mais como profissional. Sair da minha cidade, da minha rotina e do meu ambiente conhecido para passar um mês em outro país me fez perceber que nem sempre precisamos estar completamente preparados antes de aceitar um desafio. Às vezes, a preparação acontece enquanto a experiência acontece.

Foi assim com o espanhol. Foi assim com o trabalho. E foi assim com a própria experiência de viver em outro lugar. Voltei de Buenos Aires com novas referências profissionais, mais confiança para me comunicar em espanhol e uma visão mais ampla sobre como diferentes mercados latino-americanos constroem suas estratégias de comunicação.

Mas, acima de tudo, voltei com a certeza de que uma troca entre escritórios acontece também quando estamos dispostos a ouvir, observar e aprender com a forma como outras pessoas fazem o mesmo trabalho.