O investimento em impacto social corporativo no Brasil atingiu R$ 6,2 bilhões em 2024, o maior volume registrado na série histórica do Benchmarking do Investimento Social Corporativo (BISC), da Comunitas. O valor oferece um recorte do investimento social corporativo no Brasil dentro de um cenário latino-americano mais amplo.
Na América Latina, o mercado de investimento de impacto também passou por um processo de amadurecimento. O relatório “The Impact Investing Landscape in Latin America”, elaborado pela ANDE, LAVCA e LGT Impact Ventures, mostra uma diversificação dos atores envolvidos nesse ecossistema, que passou a reunir, além de organizações filantrópicas e bancos de desenvolvimento, fundações, investidores institucionais, fundos de venture capital, private equity e family offices.
Essa aproximação entre capital privado e iniciativas sociais, porém, é relativamente recente. A relação entre empresas e organizações da sociedade civil assumiu diferentes formatos ao longo das últimas décadas, influenciada pelas transformações políticas, econômicas e sociais de cada país da região.
Nos anos 1980, países latino-americanos ainda enfrentavam diferentes processos de redemocratização e instabilidade econômica. Nesse contexto, muitas organizações sociais tinham sua atuação concentrada em áreas como direitos humanos, assistência social e defesa de grupos vulnerabilizados, enquanto companhias mantinham uma relação predominantemente filantrópica com essas iniciativas, por meio de doações e ações pontuais.
A redemocratização e as mudanças econômicas das décadas seguintes abriram espaço para novas formas de relacionamento entre os dois setores. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 ampliou as bases para a atuação autônoma das organizações da sociedade civil e contribuiu para a estruturação do terceiro setor. Outros países da região também passaram por processos próprios de fortalecimento institucional e aproximação entre empresas e organizações sociais.
A partir dos anos 1990, conceitos como Responsabilidade Social Corporativa (RSC) e investimento social privado ganharam espaço nas estratégias empresariais. Mais tarde, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a agenda ESG ampliaram essa discussão, aproximando questões sociais, ambientais e de governança das decisões corporativas.
Com elas, surgiram e se fortaleceram iniciativas como programas de voluntariado corporativo, apoio institucional a organizações sociais e projetos voltados à geração de impacto, que passaram a ser vistos, cada vez mais, como parceiros estratégicos e não apenas como destinatários de recursos financeiros. A relação, porém, ainda está longe de ser livre de problemas.

Onde as parcerias entre ONGs e empresas ainda falham?
A evolução desse relacionamento não eliminou os desafios. Muitas parcerias ainda fracassam antes mesmo de começar, não por falta de recursos, mas porque são planejadas sem ouvir quem conhece o território e as necessidades da comunidade.
Indicadores: cómo medir el impacto?
Muitas iniciativas avaliam apenas a quantidade de pessoas atendidas. Embora esse seja um indicador importante, ele não revela, sozinho, se houve transformação social. Os indicadores devem variar de acordo com os objetivos da parceria, como permanência dos beneficiários no programa, geração de renda, empregabilidade, melhoria do desempenho escolar, recuperação de áreas degradadas, fortalecimento institucional da organização ou nível de satisfação da comunidade atendida.
Mais do que contabilizar atividades, os indicadores devem ser capazes de mostrar a transformação gerada pela parceria.
Financiamento, apoio institucional e sustentabilidade
Algumas iniciativas enxergam o relacionamento com organizações sociais apenas como apoio financeiro. Doações sem planejamento podem gerar baixo impacto e comprometer a sustentabilidade financeira das organizações, principalmente quando um projeto passa a depender exclusivamente daquele recurso. Uma parceria consistente envolve responsabilidades compartilhadas e objetivos definidos entre as partes. O apoio institucional pode envolver, além do financiamento, conhecimentos, serviços, infraestrutura, redes de contato e outras formas de colaboração que contribuam para o fortalecimento da organização.
Comunicação e marketing relacionados a causas
Também existem situações em que organizações sociais são procuradas apenas para legitimar campanhas publicitárias, sem participar da construção da estratégia ou receber investimentos compatíveis com a visibilidade que ajudam a gerar.
Esse tipo de relação também pode abrir espaço para práticas de greenwashing, quando empresas tentam transmitir uma imagem de responsabilidade socioambiental sem que suas ações produzam mudanças concretas. Além de comprometer a reputação da marca, essa prática gera desconfiança tanto nas organizações sociais quanto na sociedade. O marketing relacionado a causas segue uma lógica diferente. Quando desenvolvido de forma transparente e alinhado às necessidades da organização parceira, busca gerar benefícios concretos para a causa apoiada ao mesmo tempo em que fortalece o posicionamento institucional da empresa.
Conhecer o território antes de definir metas
Estabelecer metas sem considerar a realidade da organização ou do território pode ser um desafio para qualquer empresa e é ainda maior para quem chega a um novo mercado sem conhecer suas especificidades. Muitas chegam com projetos e soluções prontas, sem ouvir a comunidade, compreender suas prioridades ou reconhecer a experiência acumulada pelas organizações sociais locais. O resultado é a cobrança por metas difíceis ou impossíveis de serem alcançadas no curto prazo.
Para empresas estrangeiras, entender essas diferenças exige conhecimento do contexto local e das organizações que já atuam nos territórios. É nesse contexto que atua a Sherlock Communications, por meio da área de Impacto Social & ESG, apoiando na identificação de oportunidades, no relacionamento com organizações sociais e na construção de iniciativas alinhadas às realidades locais.
Um exemplo é a campanha Esporte Futuro, da Betfair, que levou três atletas olímpicos a oito projetos sociais em São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza. Parte das organizações participantes integra o Lupa do Bem, projeto de responsabilidade social corporativa da Sherlock Communications.
Quando empresas e organizações sociais trabalham juntas desde o início, é possível unir o conhecimento que as ONGs possuem sobre o território, a cultura local e os desafios da comunidade à experiência das instituições em áreas como gestão, comunicação, marketing, captação de recursos e escalabilidade. Sem esse diálogo, a parceria tende a ser distante e pouco efetiva.
Converse com a Sherlock Communications
Construir parcerias entre ONGs e empresas exige conhecimento dos territórios, das comunidades e das organizações que já atuam neles. A Sherlock Communications ajuda companhias internacionais a desenvolver estratégias de impacto social em toda a América Latina. Por meio de pesquisa de mercado e relações públicas, a agência apoia marcas na compreensão das expectativas locais, na identificação de parceiros comunitários, na construção de narrativas responsáveis e na comunicação de impacto sem exageros.